IPN Incubadora Rua Pedro Nunes, 3030-199 Coimbra

Novo Acordo Ortográfico – o resumo dos resumos

Os erros mais frequentes que os revisores weScribe “apanham” nas transcrições são aqueles provocados pela mudança com o Novo Acordo Ortográfico.

Leia Também  Erros ortográficos na hora de transcrever

O acordo foi assinado em 1990 – sim há 29 anos! – e a verdade é que ainda está envolto em polémica e dúvidas.

Entendemos que isto aconteça. A língua está enraizada em nós e as mudanças custam a ser absorvidas.

Por isso, neste artigo, dividido em duas partes, deixamos ficar um resumo sobre o Novo Acordo Ortográfico (doravante AO), incluindo as principais mudanças, os erros mais cometidos e dicas para os evitar.

Vamos lá então?

1. QUAIS OS MOTIVOS QUE LEVARAM À ADOÇÃO DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO?

O AO foi assinado em Portugal por este país e Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo Timor-Leste a ele aderido em 2004, após se ter tornado independente.

O objetivo foi claro: unificar a ortografia da língua portuguesa entre os países lusófonos, pondo assim fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes:

  • uma no Brasil; e,
  • outra nos restantes países de língua oficial portuguesa.

Dessa forma, contribui-se (nos termos do preâmbulo do Acordo) para aumentar o prestígio internacional da língua portuguesa.

2. QUANDO ENTROU OFICIALMENTE EM VIGOR EM PORTUGAL?

Apesar de ter sido assinado em 1990 (sim, repetimos, passaram mesmo 29 anos), a reforma ortográfica só começou a ser efetivamente implementada no dia 13 de maio de 2009.

De facto, para ajudar na adaptação às novas regras estipulou-se um período de transição que começou então em maio de 2009 e terminou em 2015. A partir dessa data tornou-se oficialmente obrigatório, em Portugal, o uso do novo AO.

 

3. O QUE MUDOU – ESSENCIALMENTE – COM A REFORMA ORTOGRÁFICA?

A. O alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras com a institucionalização do K, W, Y. Estas letras são usadas em:

  • antropónimos de línguas estrangeiras (exemplo: Darwin);
  • topónimos de línguas estrangeiras (Kuwait);
  • siglas, símbolos e unidades de medida internacionais (kg, km, watt);
  • palavras de origem estrangeira, de uso corrente.

Nota: é recomendado que os topónimos sejam usados na sua forma vernácula sempre que esta exista. Ou seja, por exemplo, devemos escrever Nova Iorque em vez de New York.

 

B. Maiúsculas e minúsculas
Passam a escrever-se com inicial minúscula:
  • Meses do ano;
  • Nome dos pontos cardeais e colaterais – note-se, no entanto, que a inicial maiúscula se mantém quando o ponto cardeal ou colateral é representado por abreviatura (ex. “A casa fica para NE) ou quando em causa estão nomes de regiões (ex. “Vamos passar férias ao Sul do país);
  • Estações do ano.
É opcional a escrita em maiúscula ou minúscula:
  • Títulos de livros. No entanto, quando se opta pela grafia minúscula, a primeira palavra do título deve iniciar-se sempre com maiúscula;
  • Nomes de disciplinas, áreas do saber, logradouros públicos, monumentos e edifícios (ex. português ou Português; avenida da liberdade ou Avenida da Liberdade);
  • Formas de tratamento (ex. senhor doutor ou Senhor Doutor).

Nota: quando o nome de lugares públicos, monumentos ou títulos de livros contêm um nome próprio este escreve-se em maiúscula (ex. mosteiro dos Jerónimos).

C. Supressão ou manutenção das duplas consoantes: cc; cç; ct; pt; pc; pç
Regra
Exemplo
Supressão das consoantes que nunca são verbalizadas em nenhuma pronúncia da língua.Ação e não acção;
Adotar e não adoptar;
Diretor e não Director
Quando existe oscilação de pronúncia, conforme as zonas geográficas, as duas grafias são possíveis.Apocalíptico/ apocalítico;
característica/ caraterística;
Manutenção das consoantes que são sempre verbalizadas em todo o espaço geográfico da Língua Portuguesa.Compacto, ficção, rapto, núpcias, convicto, bactéria; facto; pacto;

 

D. Acentuação gráfica
1. Eliminação de acentos em algumas palavras homógrafas graves (que se escrevem da mesma forma):
Antes do AO
Com o AO
Pára – do verbo pararPara – do verbo parar
Para – preposição
Pêlo – substantivo
Pélo – do verbo pelar
Pelo – substantivo
Pelo – do verbo pelar
Pelo – contração
Péla – do verbo pelarPela – verbo pelar
Pela – contração

 

2. Eliminação de acentos nos verbos da segunda conjugação, na terceira pessoa do plural, no presente do indicativo:
Antes do AOCom o AO
LêemLeem
CrêemCreem
VêemVeem

 

Chamamos a atenção que no caso do verbo pôr mantém-se o acento para o distinguir da proposição por;

3. Eliminação de acentos nas palavras graves (acentuadas na penúltima sílaba) com ditongo oi em posição tónica

Exemplos:

  • Jiboia e não jibóia;
  • Espermatozoide e não espermatozóide;
  • Asteroide e não asteróide.

Tenha ainda em atenção o seguinte:

  • Heroico perde o acento, mas herói continua a ser acentuado, uma vez que é uma palavra aguda;
  • Os nomes das localidades também são alterados com o AO (Exemplo: Troia e não Tróia);
  • É facultativo o acento nas formas verbais terminadas em –ámos (verbos terminados em –ar) (Ex. Entregámos OU entregamos);É facultativo o acento em dêmos.
E. Hífen: supressão ou colocação
Colocação de hífen:
Regra
Exemplo
Quando o segundo elemento:

começa por h;

começa pela mesma vogal ou consoante que o elemento anterior

Anti-higiénico;
Anti-ibérico;
Hiper-resistente
Com os prefixos pré, pró, pós quando o segundo elemento tem significado autónomoPós-guerra;
Pré-natal;
Pró-americano
Com os prefixos ex, vice, sota, vizoEx-marido;

Vice-presidente

Em palavras que designam espécies botânicas ou zoológicasCouve-flor; feijão-frade; abóbora-menina; beija-flor
Na ênclise e tmese (pronomes pessoais e reflexos que se seguem ao verbo ou o intercalam)Amá-lo-ei;
Dar-lhe-ei;
Partir-lhe.

 

Supressão de hífen:
Regra
Exemplo
Com a preposição “de” a seguir à forma verbal monossilábica do presente do indicativo do verbo haverHei de; Hás de; Hão de.
Quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por vogal diferenteAntireo; autoestrada; agroindustrial
Quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por consoanteAgropecuária; infetocontagioso
Quando o prefixo termina em vogal e o elemento começa por r ou s, devendo duplicar-se a consoanteAntirreligioso; autorrádio; autosserviço
Com locuções substantivas, adjetivas, pronominais, etc.Fim de semana e não fim-de-semana;
cor de vinho e não cor-de-vinho;
dia a dia e não dia-a-dia.

Atenção: continua a escrever-se cor-de-rosa

 

Posto isto, surge a questão: como evitar os erros ortográficos agora que as regras mudaram?

É só ver o próximo post que nós ajudamos.

Ah! E até lá baixe o nosso infográfico com o resumo dos resumos deste novo acordo ortográfico (Basta clicar para ver)

Deixe um comentário