Vamos diretos ao assunto: com este post vamos dar, de mão beijada, dicas para ser um bom transcritor. Porquê?

Porque ao pensar na tarefa de transcrever um ficheiro áudio, a primeira imagem que vem à cabeça de muita gente são:

  • Horas intermináveis de escrita;
  • Um som péssimo – na maior parte das vezes; e,
  • A sensação de que é um trabalho lento, demorado e com pouca valorização.

Pela nossa parte NÃO acreditamos nisso – e sabemos que os transcritores weScribe também não.

Transcrever é uma tarefa muito importante, rigorosa e com inúmeras vantagens para quem faz dela profissão (ou não). Sabemos que pode e deve ser mais valorizada e é nisso que nos focamos aqui na weScribe.

– Quer saber como ser um bom transcritor? Passe os olhos por este nosso artigo! – 

Mais: sabemos que o esforço e a dedicação compensam e guiamo-nos por algumas regras que sempre nos ajudaram a fazer um bom trabalho.

É por isso que, na construção da família weScribe, queremos partilhar 4 dicas para ser um bom transcritor, básicas, que seguimos e que nos permitem entregar cada trabalho de cabeça erguida e cheios de orgulho.

1. Pesquisar (tudo, incluindo, por exemplo, “dicas para ser um bom transcritor”)

Sim, pesquisar.

E não estamos a falar de pesquisar o que vai ser o almoço, num intervalo para esticar as pernas e atenuar o zumbido nos ouvidos.

Falamos de pesquisar termos, palavras ou expressões que não conhecemos ou não percebemos bem.

Imaginemos o seguinte exemplo meramente ilustrativo:

Na transcrição de uma audiência de discussão e julgamento, uma das testemunhas diz que trabalha no “Inti-ped-unes” em Coimbra. Perante isto, a primeira sensação que temos é usar a palavrinha mágica “impercetível” e seguir em frente, não é verdade? Afinal estamos a falar de um sítio em específico e não é possível saber de que se trata.

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#sóquenão!

Acreditem! Essa não é de todo a melhor solução:

  • Não vai dar a resposta que o cliente precisa (ou nós próprios, se for uma transcrição em benefício próprio);
  • Demonstra que não houve grande empenho na transcrição (mesmo que isso não seja verdade).

Assim, umas das primeiras coisas a fazer –  no objetivo de tentar perceber onde trabalha a  dita testemunha – é pesquisar no nosso amigo Google aquilo que ouvimos, mesmo que nos pareça uma salganhada imperceptível.

Neste caso por exemplo, sabemos que a testemunha se refere a um sítio em Coimbra, pelo que acrescentamos ao som ouvido essa mesma localidade. E o que é que  acontece?

Print de uma pesquisa do google que apoia nas dicas para ser um bom transcritor

Pois é! O Google sugere-nos qualquer coisa que, em noventa por cento dos casos, fará todo o sentido.

Desta forma, a transcrição não só ficará completa como demonstra que somos mais do que uns meros transcritores automáticos (que para isso também já existem umas maquininhas prontas a intervir, e das quais já falamos aqui.)

2 – Rever SEMPRE

Sejamos francos: erros, lapsos de escrita, manias, habituação a certos usos da pontuação todos nós temos. Faz parte. E se há gente com uma incrível capacidade e conhecimento das melhores regras de escrita, é também verdade que a muitos de nós vai escapando um errito aqui e outro acolá.

Por isso, é normal que de vez em quando uma vírgula seja posta fora do sítio, saia um “há” em vez de um “à” ou até surja uma ou outra confusão com o “cumprimento” e o “comprimento” (também iremos falar disto para a frente).

E bem, se estes erros não são bonitos nem abonam muito a favor de quem faz transcrições (profissionalmente ou não) são ainda assim, aos olhos do cliente ou de quem lê, muito mais desculpáveis do que erros ortográficos demasiado evidentes e que, às vezes, resultam do escapar de um dedo nas teclas.

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#éporissoquereverimporta!

 

Além disso, é também na revisão que se percebem melhor as palavras uma vez que já se está no contexto do que foi ouvido.

Não concebemos uma transcrição que não tenha sido revista uma vez – no mínimo – sendo que, por norma trabalhamos sempre com duas revisões. Além disso, aconselhamos que sejam feitas por duas pessoas diferentes (não sendo possível, também não é por aí que o gato come as filhoses todas).

Acreditem: não rever uma vez – pelo menos – o que se transcreveu é tão grave como falhar um prazo!

(E oh, a quantidade de coisas que temos a dizer acerca de prazos).

3 – Não interpretar

Quando somos pagos para transcrever (ou precisamos de fazer uma transcrição nossa) o objetivo é tão só escrever o que se ouve. E não sendo possível colmatar falhas de audição através das pesquisas, softwares de melhoramento do áudio ou até mesmo questionando o cliente, não é lícito inventar.

Transcrever usando acho que ouvi istodeve ter sido isto que ele disseparece-me esta expressão é errado, demonstra falta de profissionalismo e pode levar a graves consequências.

É bastante fácil no áudio constar claro que eu não disse nada e interpretarmos acho que eu não disse nada, sobretudo quando o som é mau, há a pressão de um prazo e o dia está atarefado.

Nestes casos, o melhor é respirar fundo, puxar o áudio para trás, ouvir novamente e ter-se certeza do que se escreve.

4 – Não usar truques desnecessários para aumentar o valor do pagamento

Se há casos em que as transcrições são pagas ao minuto, também há muitos casos em que são pagas à página. E neste último caso vê-se de tudo:

  • Aumentar o tipo de letra para obter mais páginas;
  • Aumentar o espaçamento entre linhas;
  • Usar negritos desnecessários;
  • Escolher uma letra que ocupe mais espaço;
  • Usar cabeçalhos grandes,
  • Entre um sem número de truques.
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Pela nossa parte NÃO concordamos com isto.

Achamos que a transcrição vale por si só e, sendo um bom trabalho deve ser remunerado em função dele próprio. E não por causa de truques baratos.

É que:

  • Não só o cliente percebe o truquezinho – na maior parte das vezes – acabando por se sentir enganado e procurando outro transcritor;
  • Como passamos por espertinhos, a precisar de recorrer a trapaça para valorização (quando a valorização deve estar na boa transcrição).

Assim, o importante é usar da razoabilidade e do bom senso, respeitando a nós próprios e ao clientes.

E se é o Cliente que tenta usar truques?

Ah isso é tudo muito bonito, podem argumentar, mas e quando é o cliente a exigir letras minúsculas, num tamanho que nem à lupa lá vai?

Aí acreditamos que a solução está na recusa do trabalho.

Sim, recusar clientes parece uma barbaridade nos tempos que correm.

Mas, só vale a pena a dedicação integral a um trabalho se houver respeito de parte a parte. Esse é um dos mais básicos princípios que seguimos!

Ora se o cliente quer uma transcrição, por exemplo, em:

  • Letra tamanho quatro;
  • Apenas formato word…

… sabemos que não está a respeitar o nosso trabalho. E, logo, é lícito questionar se queremos dar o nosso melhor em algo que nos desrespeita.

Não vale a pena, pois não?

Temos mais um sem número de dicas para ser um bom transcritor que abordaremos em outros posts.

Mas se houver alguma dúvida é só comentar abaixo ou mandar um e-mail.

E se não concordarem com as nossas dicas para ser um bom transcritor, comentem aqui em baixo.

E expliquem porquê. 🙂

Passamos agora as palavras para o vosso lado : )

Até já.

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