No início desta semana demos três dicas para transcrever de uma maneira mais eficiente.

Bem sabemos que os conselhos não se dão – vendem-se 🙂  – mas somos uns mãos largas e gostamos tanto de transcrever que não nos importamos de ajudar.

Hoje deixamos, assim, mais 4 dicas.

Preparado?

 

Não seja você a decidir o que cabe ao cliente

É muito frequente revermos transcrições em que o transcritor, devido a qualquer motivo, decide ele próprio o que é ou não importante transcrever, suprimindo assim pequenas coisas que, aos seus olhos não são importantes.

Lembre-se: a não ser que o cliente o informe disso – ou a transcrição não seja literal – transcrever passa por escrever o que  ouve. E se ouve alguém gaguejar, dizer hum, hum, interromper com ok, ok, isso deve ser passado para a escrita.

Mesmo que seja chato.

Mesmo que aumente o trabalho.

 Não é o transcritor que decide – a não ser, mais uma vez, que haja esse acordo com o cliente – aquilo que interessa à transcrição. E se lhe é dito transcrição literal… é transcrição literal.

Como é que pode o transcritor saber se aqueles tiques de fala, aquelas interrupções, aquele gaguejar não é essencial ao que se transcreve?

 

Aceite somente o que pode transcrever

Sim. Se já tem para transcrever hoje uma hora de áudio não vale a pena aceitar ainda mais meia hora, cinco minutos ou o que seja, achando que consegue.

Provavelmente não vai conseguir.

E quanto mais o tempo vai passando mais vai percebendo isso. E vai ficar extremamente nervoso. Vai deixar de fazer pesquisa. Vai começar a suprimir – quase automaticamente – a maior parte das pequenas palavras. Não vai rever.

Porque há uma impossibilidade real: o tempo.

A nossa pesquisa aponta que um transcritor experiente demora uma hora para transcrever dez minutos de áudio. E isto não é linear. Há fatores que alteram como o tipo de transcrição, a pesquisa que é necessário fazer-se, a qualidade da gravação, o cansaço daquele dia, etc.

Pegando nesta média, para transcrever uma hora de áudio precisa de 6 horas. Para transcrever duas horas de áudio precisa de 12 horas.

E se tem a ideia de que é capaz de passar dozes horas sentado, sem intervalos, a ouvir a escrever… bem, conte-nos o seu truque 😀

Para fazer um trabalho bem feito, conquistar o cliente ou a empresa com quem trabalha, não aceite mais do que é humanamente possível. Lembre-se: mais vale um pássaro na mão… que dois a voar. Que é como quem diz: mais vale trabalhar constante do que muito num dia… e nenhum nunca mais.

 

Faça pesquisa

Sim, transcrever exije que faça pesquisa. Se há coisa que nos faz crescer as unhas dos pés para dentro (bonita imagem, não é?)  é perceber que o transcritor colocou “imperceptível” não tendo perdido tempo absolutamente nenhum a pesquisar.

É verdade que há siglas, autores, expressões que não se conseguem entender à primeira. Nem à segunda mesmo que ouça outra vez. Há sotaques também que não ajudam. Mas, a verdade, é que se insistir no google, consegue chegar – na maior parte das vezes – à questão.

Dizem-nos: transcrever é escrever o que se ouve.

Mas não, não é só. Porque o que nós ouvimos nem sempre é o que é dito. O nosso cérebro consegue adaptar-se ao que conhecemos. E se não falamos inglês e a pessoa diz uma expressão em inglês é normal que não conheçamos. E coloquemos imperceptível. Quando não o é.

Assim, faça pesquisa do que ouviu e como ouviu no google. Insista de várias maneiras. Perceba dentro do contexto. E só quando for totalmente imperceptível desista.

Transcrever não é para todos. Ninguém é obrigado a fazê-lo. Se o quer assumir faça-o bem. Temos a certeza que isso lhe trará recompensas.

Leia também  Podemos todos ser transcritores?

Atenção ao sigilo

Se está a transcrever um julgamento cujo tema até é interessante e veio nos jornais; ou que até ouviu falar por outra pessoa; ou que um dos intervenientes é famoso; ou outra coisa qualquer pode, certamente, ter a tendência de querer partilhar isso com alguém.

Nem é por mal, a maior parte das vezes. Se em causa está, por exemplo e por absurdo, o caso de um dono de uma coelheira que põe em tribunal os vizinhos que fizeram uma festa porque, devido ao ruído, os coelhos não procriaram, vai querer partilhar isso. Ou pode querer rir-se com outrem.

Não o faça.

O sigilo é essencial. O cliente confiou em si, a empresa confiou em si. Do mesmo modo, o seu trabalho pressupõe essa confidência. Pressupõe esse rigor. Pressupõe que sabe que está obrigado a não comentar nada do que ouve, mesmo que seja engraçado, ou lhe cause repulsa, ou até seja interessante.

E se fosse consigo? Gostaria que os detalhes de um caso seu (fosse tribunal, fosse outra coisa qualquer) começasse a circular apenas porque sim?

Lembre-se… em boca calada…

(O que tem isto a ver com eficiência? Provavelmente tudo! Se não respeitar isto provavelmente vai deixar de ter trabalho e, consequentemente, não serve de nada maior ou menor eficiência).

Por hoje é tudo.

Lembra-se de mais alguma dica?

Tem alguma dúvida?

Gostaria de transcrever conosco?

Indique tudo nos comentários ou mande e-mail para info@wescribe.pt.

E boas transcrições.

0
Comments

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *