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Poema do Mês #4| Poesia em tempos de pandemia

É inegável e não há motivo para evitar o assunto. A pandemia provocada pelo covid-19 instalou-se nas nossas vidas e mudou o nosso quotidiano, rotinas, planos e objetivos. Colocou sonhos em pausa e transformou abraços em vozes passadas por ecrãs e janelas.

Este foi e é, na verdade, o tempo da palavra. Deixamos de beijar para descrever beijinhos. Deixamos de conviver no mesmo espaço para conviver por palavras dentro das nossas casas. Usamos palavras para explicar a tristeza, o medo, a solidão e as saudades.

Consegue imaginar esta pandemia sem dizer uma palavra?

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Na wescribe desde sempre soubemos que as palavras têm o poder de amainar, de dar esperança e mostrar coragem.

Por isso, passada a surpresa que a pandemia causou, selecionamos dois poemas como poema do mês (ou dos meses), e que mostram o poder da esperança, da coragem e de como “os dias terríveis são, afinal, vésperas de dias admiráveis” – Almada Negreiros. É a nossa seleção de poesia em tempos de pandemia.

 

poesia pandemia

Velhas Árvores, Olavo Bilac

“Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas…
O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!”

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Consolo na Praia, Carlos Drummond de Andrade

“Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.”

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Esperamos que goste da nossa seleção, que esteja de saúde e que possa(mos) abraçar, muito brevemente e com muita força, todos aqueles que ama(mos).

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