(que aprendemos com o tempo)

Como em tudo na vida há certas coisas que aprendemos – acerca de um determinado assunto – quando lidamos com ele diariamente.

Faz sentido.

Quando estamos fora de algo, tendo contacto “apenas pela rama” é normal que não saibamos todos os pontos fortes e fracos, acabando por projetar uma ideia de “como será”.

Ao fazermos transcrição de ficheiros de áudio, diariamente, percebemos que existem determinados aspetos que podem ajudar a compreender a tarefa e decidimos compartilhá-los uma vez que, escondidos dentro de um baú de informação não chegam a ninguém e pouca utilidade terão.

Vamos lá?

 

1. A Transcrição Automática não é (ainda) uma realidade prática

Já aqui escrevemos, há um bom tempo atrás, que o sonho da maioria dos clientes – e o pesadelo, provavelmente, dos transcritores profissionais – é a existência de um qualquer software que, como por milagre tecnológico, transforme num piscar de olhos (ou de cliques) som falado em texto escrito.

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Não temos grandes dúvidas que será uma realidade. Já o é, em alguns casos. Mas, convenhamos, ainda não é acessível a todos, nem barato, nem tão prático como se quer fazer parecer.

Primeiro pelo mais lógico e simples: nenhum software, hardware (ou em termos simples: tecnologia) consegue perceber a dinâmica da comunicação humana.

Comunicar não é apenas debitar palavras, de forma muito direta e perfeita numa espécie de ditado escolar: comunicar pressupõe pessoas que gaguejam, têm hesitações, repetem as mesmas palavras, se enganam na forma como dizem, falam com sotaque, com pronúncia, com gestos. Pessoas que falam mais alto, mais sussurrado, com comoção e com riso.

E isso pressupõe um ouvido apurado de pessoas – não máquinas – capazes de o perceber e de o colocar no papel.

É evidente que existem comunicadores natos cuja transcrição – por humanos ou máquinas – é bastante fácil. Falam coloquialmente, sem repetições, hesitações, gaguezes, erros, etc. Mas sinceramente, são muito poucos e, quando tal acontece, nem é necessário recorrer à transcrição. Por isso sim, a pessoa é NECESSÁRIA.

Por outro lado, a transcrição automática ainda exige várias coisas que a maioria dos Clientes não têm nem pretendem adquirir (porque exige um grande investimento monetário):
  • Aquisição de material compatível com o software de transcrição, desde gravadores, máquinas, etc.
  • Uma correção posterior do que foi transcrito pela máquina o que obriga a que o Cliente tenha trabalho aliado ao serviço que adquiriu.

A transcrição automática vai chegar. Não temos dúvidas. Tal como a condução automática e a substituição dos carros conduzidos por humanos. Tal como tantas outras coisas onde os robots serão uma ajuda imprescindível.

Para já, no entanto, ainda não chegou.

E quando chegar cá estaremos, prontos para nos adaptar a essa realidade, usando-a como ajuda e não como ameaça.

 

2. Transcrever ficheiros de áudio exige não só o domínio da língua como o domínio do ouvido

É um dois em um. Não vale de nada escrever perfeitamente bem, sem um erro que seja, se não se tiver um ouvido afiado, capaz de perceber palavras, descortinar o que está a ser dito. A sério.

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Tal como escrevemos no ponto anterior, comunicar pressupõe uma série de aspetos que não são lineares. Já transcrevemos centenas (milhares, vá) de horas de diversos temas e talvez uma ou duas tenha sido de comunicadores natos. A maioria das pessoas tem sotaques, usa hesitações de discurso constante, repete sem cessar palavras, interjeições e recorre a tiques de fala.

Quando não se domina o “ouvidês” – como chamamos à técnica – não vale de nada escrever bem porque, invariavelmente se escreve errado: se é dito “sapato apertado” e se escreve “sapato amarrado” não há erros ortográficos, é certo, mas há um erro muito mais grave: de rigor.

E isso pode matar uma transcrição.

Para ultrapassar a falta de domínio do “ouvidês” há algumas maneiras para o ultrapassar. Que é como tudo na vida: há gente com muita facilidade em descortinar o que é dito, de forma rigorosa, e há gente que não.

Quando não se tem essa capacidade é possível ultrapassar:

  • Ouvir várias, várias (muitas) vezes os trechos da gravação em que se tem dúvidas;
  • Ler o que se escreveu para, dentro da transcrição completa, ver se aquilo faz sentido. Exemplo: a transcrição é sobre bicicletas. Se parecer um dos entrevistados especialistas no tema diz camionetas em vez de bicicletas convém ouvir várias vezes para ver se realmente é o que diz.
  • Usar hardwares adequados. Sim, estamos a repetir pela enésima vez o que já dissemos em outros posts mas é essencial o uso de headphones com um mínimo de qualidade. Os nossos revisores usam – na sua maioria – os da fotografia abaixo que, entre outras funcionalidades, bloqueiam o som exterior

.headphones que usamos para fazer transcrição de ficheiros de áudio

Mas, muito sinceramente, não são imprescindíveis (nem de longe nem de perto) nem é necessário um investimento tão grande.

Por um décimo do preço consegue adquirir uns headphones que lhe permitem ouvir com alguma qualidade. E se nos é permitido o conselho, não opte por headphones intra auriculares mas sim headsets.

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3. Transcrever ficheiros de áudio de forma profissional exige paixão

Pois é. Parece um cliché, mas é verdade. Uma tarefa morosa, rigorosa, exigente como a transcrição pede que quem o faça goste do que faz.

Sejamos sinceros: não há mal nenhum em não gostar de escrever, ouvir, ouvir e escrever. Mas nesse caso, não vale a pena habilitarmo-nos a fazê-lo e anunciarmos que o queremos fazer.

Porque se é verdade que parece apelativo um trabalho que se faz em casa, nos tempos livres, auferindo rendimento por isso, também é verdade que se não houver o mínimo gosto nisso, rapidamente se desiste. Transcrever exige gosto.

Na weScribe percebemos muito facilmente os transcritores que o fazem com gosto. Não é à toa que 4 das transcritoras do mês demonstram que têm paixão pela tarefa e que gostam realmente de transcrever.

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4. Não se enriquece a transcrever

É verdade.

Por ser uma tarefa que muita gente acha ter capacidade para o efeito – e nem sempre assim é; por ser uma tarefa muitas das vezes desvalorizada até por quem a contrata; por ser uma tarefa que facilmente é vista como desnecessária e pouco trabalhosa não é, sejamos honestos, bem paga. Sobretudo para o trabalho que exige (e para o que nós exigimos também).

Por isso sim, apesar de ser possível, efetivamente, auferir uma renda mensal através da transcrição, se o seu objetivo for somente monetário talvez esta não seja a melhor forma porque vai ficar frustrado muitíssimo rapidamente.

Agora se o objetivo for rentabilizar o tempo livre, aprendendo um pouco mais sobre o mundo que o rodeia, ganhando dinheiro para o efeito no conforto de sua casa, não há motivos para não tentar.

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Nos próximos posts vamos falar mais um pouco sobre o que nos move numa transcrição e sobre a verdadeira paixão por transcrever, com testemunhos de transcritores, revisores e Clientes.

Fique por aí e perceba o que vai na alma de quem é #apaixonadoportranscrever.

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